19 de agosto de 2006

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Quinta foi uma noite de muita gente e pedaços. de desorganização em olás, de personagem, de dificuldade. de chamadas e pessagens (passagens + pesagens), de fluxos naturais na lei dos encontros, de hora perdida, hora ganha, hora atrasada. foi dia de estar em outra contagem, o mundo passar paralelo.

também foi dia de acordar mais um pouco. de desbloqueios de felicidade, sorrisos genuinos, de corpo que se aquece. de olhar o mundo novo, não o mesmo.

Quinta foi uma noite de olhos abertos incendiários.

(ontem, de abraços cobertores.)

descobri que rolar no chão ajuda a desanuviar a visão. um braço que não se dobra e mesmo assim faz de tudo fluidamente, é isso que vai me ajudar a estar nú no mundo e bem aquecido.

16 de agosto de 2006

Ando por onde andam

vejo palavras de quem está por aí e me bate uma certa irmandade de sentimentos; reconhecimento de vazios e cheiros de preenchimento, de mudanças, desvarios, devaneios.

aqui as coisas nesses dias me enchem. penso em tomar a agenda como prática, uma inédita em minha caneta e lápis. é louco, é novo, mas é bom ter coisas que me levem.

desde que leve. tento.

ontem escutei sobre a comodidade da proximidade, ou algo assim. é bom estar próximo quanto tanto se esperou. mas próximo pelo próximo...

demorei um dia pra ficar brabo com isso. falei na hora, como sempre, língua sonora. é o meu cômodo, acho. e não me encontro... é brabo.

parece que acordo. estou lento nos gestos, um jeito não me cabe, canso. de novo, ranso das minhas palavras.

ou vou morar de pernas cruzadas, Pedro em cima duma pedra, e a velha montanha um dia me abraça...

ah, até esse é um discurso velho. em que palavras sai meu espírito dançando?

preciso de música pra esse esqueleto. no Sábado, o Baiano me salvará.

(uma Ode aos despatriados!)

14 de agosto de 2006

Familiaridades

ando pela cidade e vejos rostos conhecidos. boa parte deles são pessoas que conheci no Rio. boa parte deles são rostos que a memória ou a vontade ou a fixação por uma familiaridade desenham por sobre os rostos desavisados de transeuntes incautos, cuja imagem perde tanta propriedade assim que a luz que deles vem incide sobre minha retina e toda a rede neural que dela se conecta e toda complexidade pessoal dos meus funcionamentos relaxados.

ando pela cidade e falo e escuto e sinto e penso e tudo o mais de indescrito. me assusto comigo vez que outra. expressão de fluxos que em mim tomam caminho. processo do inédito ao conhecido e demarcado, ou o contrário, eu espero e pago pra ver. quero um novo e mais, exijo, que o mesmo sorriso não comporta outros sorrires, quando o jeito de olhar está deslocado ou se faz em um deslocamento deliciosamente contínuo. about me: sou outro.

fotografo os cantos, os pontos, as curvas, os pedaços. tudo é ainda um turbilhão de tantas coisas, um sentar poeira que pede que não sejam antas coisas. fotografo num esforço bem pago, mas sei bem que um outro jeito seria também bem-vindo, agora impossível: flutuar por aí e deixar que as imagens, que os cantos, os pontos, as curvas, os pedaços, passem por mim e pela câmara, que fiquem na película ou no arquivo, e na minha pele de uma superfície de contato sempre a modificar-se, por favor.

tento. e já é bom. vai ficar melhor, corporificado. a permeabilidade da massa das minhas moléculoas, substancialidade presente, eu feito vento por mim a passar. e a cidade, um abraço.

folgo em sentir.

10 de agosto de 2006

Delícia!

Amigorama

onde eu entro às 3:00 eu encontro esses dois... eba!

será que nesse findi tem mais?

(olhem só, um post claro e pouco filosófico... é o amooooooor... hahahahahah)

Para um Sarau Erótico

Livre
da pele
sai solto
num grito
quase espanto
um sufoco
de alívio
em que se perde
se acha
e derrete
de si
um junto
só

gozo

No Silêncio

Jaz no silêncio
um julgamento que todos escutam
seu não proferimento
certa segurança de permanência

Jaz no silêncio
o afago que sentem nossos ossos
pelo íntimo sólido
da simples amiga companhia

Jaz no silêncio
todas as batidas da angústia
todas as solturas dos suspiros
todos os espaços das falas

Jaz no silêncio
os discursos incontidos, incautos
que só no silêncio
quando jazem as palavras
faz-se sentidos

Jazz no silêncio

Nossas almas dançam

8 de agosto de 2006

Um Novo

Esperava me encontrar aos pedaços pelos cantos, esquinas, lugares. Mas não. Se estilhaçado andava por aí, assim que o avião pousou já me atrai em todo, juntado no peito de vácuo.

A cidade não me deu tantas estranhezas quanto minha expectativa. Talvez eu ainda esteja chegando aos poucos e isso seja tudo. Ou o próprio funcionar absoluto que sai fácil, faz do meu um jeito avassalador de ser e não deixa muito buraco. Eu sentia falta de chão, por supuesto. Talvez seja isso...

Há coisas que saltaram aos olhos mesmo assim. O frio a me beijar os lábios - e então o primeiro calor do joelho pra baixo e a meia a me agarrar absurda os pés. Os táxis vermelhos. A existência das lotações. Coisas assim, quase bobas.

O tamanho do céu, o muito horizonte. As estrelas no meio das luzes das ruas. O quanto de verde, e morros pequenos ainda pelados ou cheios. Cheiros.

Achei que ia me encontrar pelos cantos. Descobri os cantos que sou eu. Vagueio por mim mesmo e me descubro novo, me refaço, me desnudo. Não sei, me acho inusitado, não me conheço. E se me caio num mesmo sorriso, quero o desfibrilamento, pra me achar de verdade no meio dos músculos de um mesmo ritmo.

Me ajuda a me criar?

Beijo