20.11.09

ideias vagas

o tema do morro é o esporro.

a única coisa que impede o encontro
é o medo
(ou a falta de oportunidade
mas essa última
não conta
no encontro
consigo mesmo)

5.11.09

Já vi o mundo em cima das costas de um camelo

O levava quieto
pensativo
O levava lento

Mas era de corpo tão acostumado
que ia
como se não
pesasse

18.10.09

circula o céu nos meus
--olhos

abraço a terra
com meus pés

chora a madrugada
-----não nascida
pelos meus poros acordados

a madrugada a abraça
------------e a mim
através das árvores
que
----em silhueta
nos
--circundam

8.10.09

na porta da geladeira

éramos obscuridad
mi mano contigo hierve
sobre tu labio
escribe dulce
la muerte

22.9.09

pôr do dia 20

um risco fino se aproxima do horizonte
e queima cada vez mais vermelho fogo
diamante alaranjado que as brumas da cidade logo englobam.

risco de Meia-Lua
virada pra cima.
só depois da barriga ter desaparecido
suas pontas somem.

risco fino de Meia-Lua.
ela é a Rainha da forma.
não há metáfora possível.

13.9.09

bola de vida

fiquei pensando nos gatos que pulam as janelas das cozinhas dos filmes, caem suavemente pelo canto da tela, dão um miado singelo, simpático, bebem o leite deixado com compaixão pela protagonista como uma agilidade morna, como se ali para mostrar uma voracidade com a paixão excluída, e então somem.

olhava pro meu gato, entrando na cozinha dos meus avós com miados insistentes, cheio de si, uma voracidade apaixonante-chata de carência em toda sua cara de "nem-ligo". essa sinceridade de gato sabendo o que quer. essa grande bola de vida pulsando que é esse gato - que é a situação.

fiquei pensando em como nos apresentam a vida em detalhes... mornos. uma brincadeira de imagens estereotipáveis, provavelmente gostosas assim mesmo, algo do que rimos, o canto da tela ou tudo nela.

e olhava pra vida e pensava como ela é detalhadamente imprevisível, cada momentinho dela.

10.9.09

corporal plane

ando dormindo nas sombras em mim.
mergulho em escuros procurando travesseiros,
cobertores,
como quem foge do vento frio.

o vento frio corta dores
e não é difícil encontrar a necessidade de que pare de doer
quando tomo as dores como minhas.

mas é difícil, muito difícil
as dores de tomá-las
quando percebo que há cortes
não onde as dores ardem
mas lá onde há a necessidade
de se mover quanto a elas.

me enrolo no análise
na poesia de tentar expressar um só mergulho.
as sombras tomadas tapam em ilusões de calor.
constantemente me envolvo nelas
constantemente desperto.
há uma luz que também provoca sombras.
há a possibilidade de respirar no escuro
quando se olha pela pele.

será que os cachorros sonham?, me pergunta ela.
do que são feitos os sonhos?

sou eu.

não tenho grandes pequisas quanto aos sonhos.
então, quando se mostram,
sempre me surpreendem.

3.9.09

um teatro

o coração viaja
em uma dança
espiada
sentida
de corpo reverberante
de corpo sensível
epiderme estendida àquilo que o olho vê

o corpo conversa
o olhar no escuro do retorno

no escuro
não tem como saber o olhar que conecta
o coração é esperança de contato
o coração
maravilhoso coitado
suspira a poesia
do movimento

alguma coisa absurda
pede um cigarro

26.8.09

uma Luz vai dormir
a noite passou festivamente rápida
por debaixo de mim
asfalto correndo
o vento
uma batida por pedalada

ufa!

êia glória.

8.8.09

um post bobo

tem dias que quero dormir com todo mundo.

não me refiro a transar com todo mundo.
também sei que todo mundo não diz muito. dá essa vontade de todo mundo, todo um mundo feito de pessoas queridas. o que também não ajuda muito na descrição concreta, mas acho que diz alguma coisa da intensão.

sei lá. é só isso. tem dias que dá vontade de mergulhar em carinhos com gente bacana. e que dá gosto de ter tanta gente bacana em volta...

queria uma cama beeem grande, e nenhuma idéia entre a proposta e o carinho.

"uma vida, uma viagem, com ele sempre é mais."

24.7.09

Vem o silêncio
manso
pede passagem
como a aurora
e se instaura
como um abraço
dado
em meio
ao sono

23.7.09

Descalço no Parque

Gira manso
meu pobre pé
descalço
gira debaixo de mim
e me leva
eu
sem saber onde estou

Olho deslumbrado
a procura
da aurora
de algum
significado

Não há
só o bater do meu pé
ritmado
ondulando
o bater
do meu
coração

22.7.09

De uma companhia

Dói mais que a alcova
e menos que a morte
Essa pequena dor serena
insistente e inexplicável
essa dor de vida
que vem companheira
e o que fazer
se a companhia
cativa?

21.7.09

Acordei em ensejo
Acordei em devaneios
Acordei em desesperos
de muitas coisas
deixadas
de ontem
Acordei em acordes dissonantes
vários
tocados ao mesmo tempo
Acordei em sono
Acordei procurando
o sorriso

Acordei
e já dormia

19.7.09

Pedaços

Não foi da desforra
que a mente
fez a glória

porque a mente
acorda bêbada
quando a gente
acorda

Não foi a lamúria
tampouco
nem da luxúria
ou sobriedade

a mente não conhece
sobriedade
até ser entorpecida
em corpo

até ser esticada
até a presença
sufocada
de lamentos
enxurrada
de suas despensas

a mente saiu
foi passear
fiquei deitado
e me perdi
nos milhões de corpos fragmentados
que me atrevo
a ter

a mente riu
boba
quando virou criança
e, sendo eu adulto
nem precisava responder pelo tanto
o corpo sabe
ser um só
como a mente
sabe ser corpo
só precisa
esquecer da mentira
que faz um agora sempre de ontem
só precisa
desfazer o véu
e lembrar

O pulo do gato
não faz
ressalvas

18.7.09

Fim

perdi a hora
vambora
não tem limites
esse sofá

perdi a bomba
que foi
que fez
com que tu te mexesse
tanto?

perdi a perda
tava tudo igual
no samba
foi só no estômago
que senti
que as passadas
se arrastavam
Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 2.5 Brazil License.