tenho dançado comigo mesmo,
uma música que canto por aí.
bem bom andar nesses dias.
17 de abril de 2008
13 de abril de 2008
o dia chove aliviado. e embarco.
mergulho o suspiro da chuva. detrás das núvens, brilha um solzinho dentro de mim.
coisa boa de quem dança: além do passo,
aproveitar abraço.
mergulho o suspiro da chuva. detrás das núvens, brilha um solzinho dentro de mim.
coisa boa de quem dança: além do passo,
aproveitar abraço.
12 de abril de 2008
A palavra que eu não disse 2
A palavra que eu não disse tem nome. Mas é muda. Então só se apresenta com um meneio de cabeça, como aqueles homens sinistros de filmes antigos que, não bastasse o escuro, não tiram o chapéu.
A palavra que eu não disse mal tem forma - vai saber. Não tem cor - ou me deixa daltônico. Mas, impressionantemente... tem peso.
A palavra que eu não disse me persegue. E some no beco escuro quando corro atrás. Depois me acorda, com soluço ou batida acelerada.
Seu segredo... é que eu, no máximo, queria querer dizê-la. Mas seja lá o nome que tiver... seu segredo... é que a palavra que não disse ocoupa o lugar do meu medo.
A palavra que eu não disse mal tem forma - vai saber. Não tem cor - ou me deixa daltônico. Mas, impressionantemente... tem peso.
A palavra que eu não disse me persegue. E some no beco escuro quando corro atrás. Depois me acorda, com soluço ou batida acelerada.
Seu segredo... é que eu, no máximo, queria querer dizê-la. Mas seja lá o nome que tiver... seu segredo... é que a palavra que não disse ocoupa o lugar do meu medo.
11 de abril de 2008
A palavra que eu não disse 1
A palavra que eu não disse bateu no ponto em que nossa arestas se encontraram. Bateu e ficou lá, vibrando. Não dita, maldita, e nada claro se era claro que ela ali estava, ou qual era, ou o quê. E eu que achava que palavra não dita passava, ou perdida, ou quem sabe até mesmo ganha: achava que talvez palavra pudesse passar sem dizer; ou então fugia feito a vaca do poema de Quintana. Mas assim... a palavra que eu não disse não se foi. Fez-se presente e depois não tinha eu o que fazer com ela. Porque vibrava ali, justamente onde nossas arestas... e ele eu nem sei se percebia... e na aresta, não mexia... e o que eu podia fazer? A palavra que eu não disse... estava justamente... no lugar onde eu não sabia dizer...
7 de abril de 2008
Crash Test Dummy
Ganhei uma marca, quase morri. O avassalador da experiência me diferenciou. Não de outros, antes de mim mesmo. O avassalador da experiência me sacudiu. Desde as pontas de meus dedos, o pó que meus ossos vão ser um dia desentupiram meus poros. O avassalador da experiência me deslocou. De susto, de súbito; de tão grande, de tão sem nome; de ter me levado tão longe, e de jeito tão diferente do mesmo. O deslocamento pela via, o arrasto do carro para outra avenida, a parada amassada em frente a Igreja... nada foi por acaso. Mesmo se casual, é com isso que dou de mãos e caso. Assim como o aríete da família, feito de dedo acusador, resposta estabelecida, soco... Assim como eu mesmo, com todo jeito feito impossível, resgatando muito mais prontamente naquele momento qualquer percepção associada com lisergia, e que ali era só trauma de ocasião, que ali era só tentativa de prontidão, que ali era só realidade estendida, realidade perdida, e cada ilha de realidade conquistada e naufragada de um caos-mar... E como lidar; e como bordear tamanho avassaladoramento...
Bati meu carro, arrisquei meu corpo e outros. Não o perdi nem ninguém. Tampouco minha alma saiu para dar voltas... Mas minha alma cresceu. Dentro de meu corpo e além, para dentro e para fora... eram aqueles delírios, aquelas falhas de lógica (como folhas de um jornal que vôou ao vento), aquele desprocessamento... eram eles indícios de minha alma que suspirava? Que quem sabe quase se soltava?
Perdi meu carro, tremi meu corpo, expandi minha alma. E minha mente... não sei... Ganhei. e talvez, para mais de mim, e menos... tenha sido minha alma... que tenha me ganho.
Bati meu carro, arrisquei meu corpo e outros. Não o perdi nem ninguém. Tampouco minha alma saiu para dar voltas... Mas minha alma cresceu. Dentro de meu corpo e além, para dentro e para fora... eram aqueles delírios, aquelas falhas de lógica (como folhas de um jornal que vôou ao vento), aquele desprocessamento... eram eles indícios de minha alma que suspirava? Que quem sabe quase se soltava?
Perdi meu carro, tremi meu corpo, expandi minha alma. E minha mente... não sei... Ganhei. e talvez, para mais de mim, e menos... tenha sido minha alma... que tenha me ganho.
30 de março de 2008
Escrever
Escrever é mergulhar. Viver um entre em mim, procurar calmo ou desesperado por algo em um poço onde normalmente tudo é indiferenciado e, ao mesmo tempo, pouco se mistura; muito menos que na procura, onde o caos se agita e tudo afunda ou flutua.
Escrever é muito mais do que definir, até pelo contrário: que tentar encontrar palavra nesse poço-em-mim é dar-me conta daquilo que parece pronto e já não está, assim como do que desde antes se mostra sem tempo (só “antes” ou “depois”), escapa; simplesmente não pode ser contido.
Escrever é deixar claro como nada mais que a única contenção possível (como aquela da letra que se amarra em outras) é a contenção que liberta, como um traço que mostra o quanto tudo que está fora transita para dentro quase livremente e é muito maior. Escrever é um sufoco! E ao mesmo tempo um grande suspiro, como aquele que amanseia o lobo (o louco) que vai viver mais do que a gente. Escrever é traçar destino, porque pouco faz para mais além de apontar caminho como quem já começa a trilhá-lo. Escrever é se fazer de ponte (e inevitavelmente parar no meio para ficar olhando o rio). Escrever é trabalho de molécula, armando fronteiras como quem cria membranas lipossolúveis, como quem cria peles e se arrepia imensamente nos toques – de júbilo, de medo. É que escrever, por último, é abismar-se.
(P.S.: com toda essa idéia profunda de escrita, falta dizer que é nesse traçado que a cobra morde o próprio rabo, e eu escrevendo sobre o escrever acabo entretido nesse texto tão clichê...)
Escrever é muito mais do que definir, até pelo contrário: que tentar encontrar palavra nesse poço-em-mim é dar-me conta daquilo que parece pronto e já não está, assim como do que desde antes se mostra sem tempo (só “antes” ou “depois”), escapa; simplesmente não pode ser contido.
Escrever é deixar claro como nada mais que a única contenção possível (como aquela da letra que se amarra em outras) é a contenção que liberta, como um traço que mostra o quanto tudo que está fora transita para dentro quase livremente e é muito maior. Escrever é um sufoco! E ao mesmo tempo um grande suspiro, como aquele que amanseia o lobo (o louco) que vai viver mais do que a gente. Escrever é traçar destino, porque pouco faz para mais além de apontar caminho como quem já começa a trilhá-lo. Escrever é se fazer de ponte (e inevitavelmente parar no meio para ficar olhando o rio). Escrever é trabalho de molécula, armando fronteiras como quem cria membranas lipossolúveis, como quem cria peles e se arrepia imensamente nos toques – de júbilo, de medo. É que escrever, por último, é abismar-se.
(P.S.: com toda essa idéia profunda de escrita, falta dizer que é nesse traçado que a cobra morde o próprio rabo, e eu escrevendo sobre o escrever acabo entretido nesse texto tão clichê...)
2 de março de 2008
Mensageiro
percebo coisas nas outras pessoas. talvez seja só aquilo que me incomoda e aquilo que me admira. mas percebo seguidamente, e quero pensar que para além disso existe um algo de vocação.
uma vez descobri que vim ao mundo para ser um mensageiro. e não é que eu entenda a mensagem... é que percebo. como se houvesse algo para além de mim em fazer ponte entre as pessoas e suas possibilidades...
e eu mesmo... tanto o que aprender com mensagens! mensagens minhas e dos outros... porque tenho me sentido (e graças a uma mensageira em especial) com uma amarra forte a me circundar, para que as coisas que eu escuto sejam envolvidas em meu próprio orgulho de descrevê-las. é peso de controle... e tento superá-lo deixando-me ir, tal qual cartaz que já espalhei por aí: "deixe-se ir..." eita.
quando percebo, nem sempre digo as coisas. nem sempre faço função de mensageiro. e, mais do que pela mensagem em si, é por mim que não digo... talvez pela sensação de que dizer também o seria. o mais difícil talvez seja isso... que os mensageiros em uma guerra não são responsáveis pelas mensagens que carregam... ou melhor, talvez até o sejam, porque arcam com seus resultados e tantas vezes são atirados nos poços... mas, mesmo assim, elas não os dizem respeito.
o bom mensageiro tem responsabilidade porque é capaz de dar uma resposta a altura daquilo que gera. e mesmo assim tais resultados não lhes dizem respeito. o mensageiro só tem rosto pra passar a mensagem, e não um orgulho que faça esse rosto de mensagem retornar sobre ele mesmo. o mensageiro verdadeiro é como um monge zen.
e eu não o sou. talvez tenha essa vocação de fato, mas também tenho orgulho pra falar por mim e amarrar as coisas ao meu redor. tal como o contrário: "o Sr. da Dança circula sem cair na confusão". e eu não.
dizer ou não uma mensagem passa a ser questão de escolha. e é uma escolha delicada... porque quem sou eu para dizer a qualquer um que tal coisa se dá, se é que se dá; que tal coisa é sentida? quem sou eu para uma ação no sentido de mudar alguém? deixar-se ir é também deixar ir...
as coisas que me admiram e as coisas que me incomodam em outro momento batem em minhas arestas. e aí uma mensagem não sai mais além de mim, mas totalmente minha. e é assim também, ter um rosto e um corpo no mundo, ter amarras, estar com pessoas, fazer contratos... ter relações. é assim e não há como se precaver disso, nem porquê... a menos que as mensagens saiam por si, através de mim. e talvez esteja aí o mais saudável energéticamente, o que menos disperdiça... mas e meu orgulho? e estar se impondo sobre as pessoas?
talvez não dê pra entender nada dessa entrada "Querido Diário". não é?
faz o quê. eu sim caio em confusão.
hum. tenho que sair é pra dançar...
beijos.
uma vez descobri que vim ao mundo para ser um mensageiro. e não é que eu entenda a mensagem... é que percebo. como se houvesse algo para além de mim em fazer ponte entre as pessoas e suas possibilidades...
e eu mesmo... tanto o que aprender com mensagens! mensagens minhas e dos outros... porque tenho me sentido (e graças a uma mensageira em especial) com uma amarra forte a me circundar, para que as coisas que eu escuto sejam envolvidas em meu próprio orgulho de descrevê-las. é peso de controle... e tento superá-lo deixando-me ir, tal qual cartaz que já espalhei por aí: "deixe-se ir..." eita.
quando percebo, nem sempre digo as coisas. nem sempre faço função de mensageiro. e, mais do que pela mensagem em si, é por mim que não digo... talvez pela sensação de que dizer também o seria. o mais difícil talvez seja isso... que os mensageiros em uma guerra não são responsáveis pelas mensagens que carregam... ou melhor, talvez até o sejam, porque arcam com seus resultados e tantas vezes são atirados nos poços... mas, mesmo assim, elas não os dizem respeito.
o bom mensageiro tem responsabilidade porque é capaz de dar uma resposta a altura daquilo que gera. e mesmo assim tais resultados não lhes dizem respeito. o mensageiro só tem rosto pra passar a mensagem, e não um orgulho que faça esse rosto de mensagem retornar sobre ele mesmo. o mensageiro verdadeiro é como um monge zen.
e eu não o sou. talvez tenha essa vocação de fato, mas também tenho orgulho pra falar por mim e amarrar as coisas ao meu redor. tal como o contrário: "o Sr. da Dança circula sem cair na confusão". e eu não.
dizer ou não uma mensagem passa a ser questão de escolha. e é uma escolha delicada... porque quem sou eu para dizer a qualquer um que tal coisa se dá, se é que se dá; que tal coisa é sentida? quem sou eu para uma ação no sentido de mudar alguém? deixar-se ir é também deixar ir...
as coisas que me admiram e as coisas que me incomodam em outro momento batem em minhas arestas. e aí uma mensagem não sai mais além de mim, mas totalmente minha. e é assim também, ter um rosto e um corpo no mundo, ter amarras, estar com pessoas, fazer contratos... ter relações. é assim e não há como se precaver disso, nem porquê... a menos que as mensagens saiam por si, através de mim. e talvez esteja aí o mais saudável energéticamente, o que menos disperdiça... mas e meu orgulho? e estar se impondo sobre as pessoas?
talvez não dê pra entender nada dessa entrada "Querido Diário". não é?
faz o quê. eu sim caio em confusão.
hum. tenho que sair é pra dançar...
beijos.
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