9 de abril de 2005

auto-ajuda

"A chamada literatura de auto-ajuda, que na última metade do século 20 transformou-se em impressionante fenômeno editorial e econômico, não é simplesmente uma forma de iludir pessoas ingênuas e crédulas, e, assim, ganhar dinheiro vendendo livros. Ao contrário do que pensam seus detratores, a literatura de auto-ajuda é muito mais do que isso, deitando suas raízes no próprio núcleo da tradição cultural e filosófica do Ocidente e, por suposto, na crise desta e de seus valores e instituições."

É com essa mensagem de orelha que eu convido todos a lerem o livro "Literatura de Auto-Ajuda e Individualismo", do Francisco Rudiger. Muito bom, nota 10.

Oasis


Não há cidade livre de pequenos mistérios, de cantos aonde os anjos vão pra abanar suas asas e fofocar sobre os humanos. São lugares quase sempre junto aos centros, às convulsões urbanas, à correria, mas que se caracterizam por calma, ar puro e beleza ímpar. Oasis. Uma beleza quase sempre ainda não tocada pela mácula da conservação. São pequenos universos nos circundando, lugares descobertos por quem nada quer encontrar.

1 de abril de 2005

Dia dos Bobos

o papa morreu dia 2 de Abril porque a palavra da Igreja ao anunciar sua morte não podia ser desacreditada.

- Por Deus, ele podia ter morrido um dia antes!

29 de março de 2005

ONG ou ( Onde Nunca Governaremos )

Sociedade organizada, solidariedade produzida, responsabilidade social... e sem fins lucrativos! eis então o cidadão tranquilo. Uma vez organizados, formamos ONGs. E buscamos frenéticamente a tal cidadania... precisamos resgata-lá, exercê-la, oferecer pra quem não tem...sendo assim, eis aqui...veja que beleza, em diversas cores, a cidadania está na mesa. E realizamos a solidariedade por decreto, aquela que te faz ligar para o "Criança Esperança", distanciando-nos cada vez mais de uma solidariedade por convivência. ONG, outro engodo da sociedade civil. Tomar pra si aquilo que é de responsabilidade governamental é um tanto louvável sim, tendo em vista os benefícios trazidos por tal iniciativa: a sociedade fica tranquila exercendo seu "papel social" e por conseguinte sente as delícias da consciência solidária, o governo quer mais é que as empresas dêem apoio às ONGs (R$$$$) e para isso diminui os impostos daquelas "responsáveis socialmente" (iso#####), os jovens saem das universidades e montam seu pròprio negócio (ONG)e já existe até "empresa" que ensina como "captar recursos" para montar a sua "própria ONG"!! Ok, então quer dizer que Organização Não Governamental existe enquanto houver questôes sociais não resolvidas ou pelo menos mal resolvidas pelos governos, Estados, Prefeituras, etc e tal...sendo assim o objetivo maior das ONGs é deixar de existir? Será mesmo "sem fins lucrativos"? de que lucro estamos falando? A ONG quer potencializar os indivíduos ou precisa deles enquanto "assistidos" para que exista uma razão de ser para ela mesma?

2 de março de 2005

e já dizia...

Raoul Vaneigem:

Para mim, a única igualdade que reconheço é aquela que a minha vontade de viver conforme os meus desejos reconhece na vontade de viver dos outros. A igualdade revolucionária será indissoluvelmente individual e coletiva.

1 de março de 2005

espaço privada

usar a loja de uma quadra inteira apenas como passagem para a próxima rua. ir ao shopping somente pelo banheiro (e os vasos sanitários mais limpinhos que se pode imaginar, fora o constrangimento do segurança, da câmara de vigilância, das luzes e das ofertas). ler livros inteiros dentro das grandes livrarias sem levá-los consigo para casa (pelo menos passando pelo caixa).

sempre me deu uma sensação engraçada essa dos espaços público-privados. a que se restringe o acesso? todos os vetores energéticos, toda a exposição, vai na direção do consumo. é o que lhes interessa. e alguém com experiência me diz que de cada vendedor é medido o volume de compras (tanto em quantidade de ítens como em valores) para cada cliente. quem vende mais ganha prêmios.

não é novidade alguma dizer que a declaração desses espaços como "espaços públicos" é um engôdo. (os caras do critical art ensemble falam das casamatas.) portanto, nos interessa o saudável exercício de esfregar nosso alegado direito em suas caras (sem ser capturado no processo). abusar de tudo que for uma facilidade para o consumidor sem se tornar um.

em toda cidade que eu chego para passar um tempo, entro no processo (como um bom nômade urbano) de mapear os melhores banheiros das regiões por onde fico com minha casa nas costas (vale dizer, mochila). sempre achei interessante a prática de sentar em uma mesa de shopping com alguns amigos, puxar um baralho de cartas e fazer um lanche só com coisas trazidas de casa.

as possibilidades são infinitas. tenho a imagem de que entrar em um espaço público-privado é como mergulhar em uma célula de líquido amniótico. o desafio é fazer isso sem se molhar. ainda há aqueles que o fazem e levam consigo algum troféu, como quem enfia a mão na célula e de lá retira uma parte para deixar secar. os pequenos roubos são uma forma deliciosa de publicizar o privado que tenta te engolir (no final das contas, toda a intenção desses espaços é a fagocitose, é coisificar seus visitantes, fazê-los jogar o jogo do consumo, tentá-los, privatizá-los). só que aí, o risco não é só subjetivo...

tome cuidado. lembre-se de Hakim Bey (aliás, vocês já viram Edukators?), não seja pego. e, especialmente e como sempre... divirta-se! quem foi mesmo que disse que "em meu país, sorrir é um ato revolucionário?"? pois então, meus queridos... gargalhem! (e molhem alguém com seus perdigotos...)

26 de fevereiro de 2005

VERSÃO UM

Boresteano sacana
Escárnio, sossego.
Ao levantar da sobrancelha vejo
Indagação que reclama
Desliza certeza!
Afoga, sujeito!
Depois so rra tei ra men te...
Mente!

Mente vadia e sem compromisso
Amarra frouxa perdida no fio
Da meada irônica
Linha do destino

De versão em versão
Eis universo Inversão.
E o inverso dele
Não inventa nada
Apenas vira vírgula
Inverte rima
Invisível o verso,
Já perdeu a firma

Mas se duvido do que afirmas
Prontamente cartografa
Possibilidade de outras ilhas
Na deriva dessa dúvida
Investida de outras idas...