Ás vezes - quase muitas vezes - eu só quero fugir. Desaparecer. Ou esquecer e seguir - vida de um jeito louco - louco de a princípio pouco, de outro, outra, coisa, lugar, jeito - ir. embora. agora.
É difícil ter uma certeza só com tudo isso que me rodeia - porque a certeza há e o que rodeia é balela que dia-a-dia faz, defesa que me fecha contra o risco - de quê? Ser humano é mais do que quase odioso. Ser eu é um desastre.
30 de abril de 2006
29 de abril de 2006
Encontro
Tem beijo que faz a gente ir além de nós mesmos. Que não seja só pra isso que esses lábios sejam feitos - vá beijar um pão de queijo, mas não esqueça do sorriso -, é aí que de verdade nossos lábios se realizam.
28 de abril de 2006
âmago
Algumas idéias são naturalmente obscuras. Retumbam no peito, se escondem lá dentro. Infurnam-se no corpo atrás da alma. Acho que fogem da mente, como idéias selvagens que lutam pra ficarem livres.
Não tenho como pegá-las. Simpatizo com elas: dá pra entender direitinho essa vontade que tem. O único jeito que tenho é ficar quieto, bem quietinho e deixar mesmo que elas virem corpo. Ou que pulem pro mundo.
Não tenho como pegá-las. Simpatizo com elas: dá pra entender direitinho essa vontade que tem. O único jeito que tenho é ficar quieto, bem quietinho e deixar mesmo que elas virem corpo. Ou que pulem pro mundo.
27 de abril de 2006
Só e chuva
Não fui eu que te disse que era assim. Mas deixei que pensasse, porque era cômodo e bonito.
Você sabe, a fantasia tem algo de belo. Que é como dizer que tem algo de triste. Você sabe: a fantasia já carrega em si a sua própria perda.
Você nunca está tão bonito como quando está imerso em tristeza. Só que você a chama melancolia. É quando não espera nada de nada, não impõe coisa alguma pro mundo. Lindo! A tristeza tem em ti sua forma mais livre...
Você sabe, a fantasia tem algo de belo. Que é como dizer que tem algo de triste. Você sabe: a fantasia já carrega em si a sua própria perda.
Você nunca está tão bonito como quando está imerso em tristeza. Só que você a chama melancolia. É quando não espera nada de nada, não impõe coisa alguma pro mundo. Lindo! A tristeza tem em ti sua forma mais livre...
26 de abril de 2006
Aquele CC lá em baixo
Registrei a fraguExperimentos em Creative Commons. Agora tenho um copyright. Não é o máximo?
É mesmo: os CCs não são só um jeito de eu dizer "oh galera, esses textos são meus, viu?". Tampouco estão preocupados em afirmar o que não pode ser feito com eles. A lógica é justamente contrária: a licença pelos Creative Commons se preocupa em dizer o que se pode fazer com tudo isso.
Por exemplo, legalmente falando é permitida a reprodução, cópia e distribuição livre de tudo o que está aqui. Pode-se, além disso, criar trabalhos derivativos a partir desses textos ou da idéia desse blogue, e inclusive ganhar dinheiro com isso. As duas condições, que podem ser esquecidas com a minha autorização, são que meu nome seja citado e que qualquer citação ou remix tenha também essa licença à recombinações.
Não é lindo? E dá pra registrar qualquer coisa em CC: músicas, vídeos, projetos... o que for. É um troço recente no Brasil, de forma que as coisas ainda estão se encaixando. Por exemplo, não há registro de domínio público no nosso país, de forma que não se pode dizer que algo é da autoria de alguém e ainda assim é de todos. Mas, vai, mexendo a gente chega lá.
A página dos Creative Commons, que ensina como registrar seu blog ou página da inet - e tudo o mais a respeito deles.
Tá, importantíssimo dizer: estão declaradas as condições legais de uso desse material que publico aqui. Acho bacaníssimo que estejamos constantemente criando formas institucionais de possibilitar o bacana, o intenso, o vivo. Por isso, por tudo o que se faz em embates burocráticos, ainda acredito na criação de leis, nos enjambres jurídicos e essas coisas todas - porque o bicho pega, e é bom poder criar uns espaços livres no meio da máquina. MAS nada disso quer dizer que a legalidade me tem sob controle. Ótimo, agora a fraguE tem um registro, mas se alguém um dia quiser fazer disso aqui algo que fuja ao permitido, bom ou mau, vou achar do caralho! Ou seja: bom ver as possibilidades do legal, mas não seja capturado, meu amigo, que se a gente ficar só nos embates burocráticos, estamos ferrados...
Vá batalhar pra ser livre, mas cuide pra não fazer da arma - e da armadura - a própria prisão.
Beijo!
É mesmo: os CCs não são só um jeito de eu dizer "oh galera, esses textos são meus, viu?". Tampouco estão preocupados em afirmar o que não pode ser feito com eles. A lógica é justamente contrária: a licença pelos Creative Commons se preocupa em dizer o que se pode fazer com tudo isso.
Por exemplo, legalmente falando é permitida a reprodução, cópia e distribuição livre de tudo o que está aqui. Pode-se, além disso, criar trabalhos derivativos a partir desses textos ou da idéia desse blogue, e inclusive ganhar dinheiro com isso. As duas condições, que podem ser esquecidas com a minha autorização, são que meu nome seja citado e que qualquer citação ou remix tenha também essa licença à recombinações.
Não é lindo? E dá pra registrar qualquer coisa em CC: músicas, vídeos, projetos... o que for. É um troço recente no Brasil, de forma que as coisas ainda estão se encaixando. Por exemplo, não há registro de domínio público no nosso país, de forma que não se pode dizer que algo é da autoria de alguém e ainda assim é de todos. Mas, vai, mexendo a gente chega lá.
A página dos Creative Commons, que ensina como registrar seu blog ou página da inet - e tudo o mais a respeito deles.
Tá, importantíssimo dizer: estão declaradas as condições legais de uso desse material que publico aqui. Acho bacaníssimo que estejamos constantemente criando formas institucionais de possibilitar o bacana, o intenso, o vivo. Por isso, por tudo o que se faz em embates burocráticos, ainda acredito na criação de leis, nos enjambres jurídicos e essas coisas todas - porque o bicho pega, e é bom poder criar uns espaços livres no meio da máquina. MAS nada disso quer dizer que a legalidade me tem sob controle. Ótimo, agora a fraguE tem um registro, mas se alguém um dia quiser fazer disso aqui algo que fuja ao permitido, bom ou mau, vou achar do caralho! Ou seja: bom ver as possibilidades do legal, mas não seja capturado, meu amigo, que se a gente ficar só nos embates burocráticos, estamos ferrados...
Vá batalhar pra ser livre, mas cuide pra não fazer da arma - e da armadura - a própria prisão.
Beijo!
25 de abril de 2006
Dos tempos
Leio Hesse e me parece que entendo um pouco sobre os alemães no entre-guerras e como é ingênua a cruel propensão humana a ser levado por idéias, o espírito de um tempo, criando possíveis para as pessoas que são menores e mais restritos do que os possíveis livres - as possibilidades de uma socieidade e aquelas aquém a ela, as afetuosas possibilidades de uma liberdade de preceitos.
A disposição que possibilitou o Nazismo num povo tão rico de idéias e tão lindo (tanto quanto sinistro) como os alemães é dos maiores mistérios humanos da História. Pois que em outras medidas, outros valores, o que há de belo e obscuro na cultura germânica há em toda cultura do globo e através do tempo. Se não nos preocuparmos na contagem de números ou avaliação de profundidade, essa disposição é a mesma, e segue forte em nós agora.
Que a contemporaneidade tenha dissolvido a limiaridade dos partidos políticos e dos programas sociais de outrora - que hoje, sob o julgo da velocidade, estejamos imersos em uma complexidade de meios, de suportes, talvez sem precedentes - só vem a tornar ainda mais sinistra nossa disposição aos modos prontos que hão de salvar-nos - às idéias e comportamentos corretos que dêem esperança (feito uma Porta da Esperança guardada por um áureo São Pedro - de microfone?) para a desolação das nossas desamparadas vidas. É que essa complexidade faz desaparecer um só fascismo ao qual ainda podíamos combater em sua evidência. Hoje o fascismo é tão múltiplo e veloz quanto todas as coisas - não está nas coisas, de modo que pouco adianta apontá-lo, mas está no antes, no que gera coisas, pessoas, pensamentos, em cada coisa e além - o fascismo é um processo de produção.
E é que de fato não sabemos viver. Nos entregamos ao desamparo esperando que algo venha fazer a função de rede que nos agarre e dê colo. Sinto falta no dia-a-dia de um misticismo que nos ponha em relação direta com as coisas, dum misticismo que, não tendo nada a ver com igrejas ou sistemas fechados, seja, ao contrário de uma mediação, uma percepção, capacidade de sensibilização direta - nossas próprias histórias, nossa própria respiração, o batimento desse coração aqui dentro desse peito, do que cada um desses ouvidos ouvem.
É nos processos de produção - que são impessoais e são pessoalizados, que estão além e entre nós e que atuam dentro de nós, esses dos quais somos agentes - que podemos atuar para mudar o mundo - que seja o nosso mundo. Entrar numa construção de esquemas é estar sempre fechando o mundo - viver uma sensibilização livre e espontânea é sempre abrir, desvelar, ampliar a vida.
A disposição que possibilitou o Nazismo num povo tão rico de idéias e tão lindo (tanto quanto sinistro) como os alemães é dos maiores mistérios humanos da História. Pois que em outras medidas, outros valores, o que há de belo e obscuro na cultura germânica há em toda cultura do globo e através do tempo. Se não nos preocuparmos na contagem de números ou avaliação de profundidade, essa disposição é a mesma, e segue forte em nós agora.
Que a contemporaneidade tenha dissolvido a limiaridade dos partidos políticos e dos programas sociais de outrora - que hoje, sob o julgo da velocidade, estejamos imersos em uma complexidade de meios, de suportes, talvez sem precedentes - só vem a tornar ainda mais sinistra nossa disposição aos modos prontos que hão de salvar-nos - às idéias e comportamentos corretos que dêem esperança (feito uma Porta da Esperança guardada por um áureo São Pedro - de microfone?) para a desolação das nossas desamparadas vidas. É que essa complexidade faz desaparecer um só fascismo ao qual ainda podíamos combater em sua evidência. Hoje o fascismo é tão múltiplo e veloz quanto todas as coisas - não está nas coisas, de modo que pouco adianta apontá-lo, mas está no antes, no que gera coisas, pessoas, pensamentos, em cada coisa e além - o fascismo é um processo de produção.
E é que de fato não sabemos viver. Nos entregamos ao desamparo esperando que algo venha fazer a função de rede que nos agarre e dê colo. Sinto falta no dia-a-dia de um misticismo que nos ponha em relação direta com as coisas, dum misticismo que, não tendo nada a ver com igrejas ou sistemas fechados, seja, ao contrário de uma mediação, uma percepção, capacidade de sensibilização direta - nossas próprias histórias, nossa própria respiração, o batimento desse coração aqui dentro desse peito, do que cada um desses ouvidos ouvem.
É nos processos de produção - que são impessoais e são pessoalizados, que estão além e entre nós e que atuam dentro de nós, esses dos quais somos agentes - que podemos atuar para mudar o mundo - que seja o nosso mundo. Entrar numa construção de esquemas é estar sempre fechando o mundo - viver uma sensibilização livre e espontânea é sempre abrir, desvelar, ampliar a vida.
23 de abril de 2006
Feitiço
Venham a mim, papel, prancheta
caneta
Venham voando e escrevam
no tempo do pensamento
Nem um atraso no compasso
da letra
nada que dê gelo
ou espalhe areia ao vento
ou deixe num lamento
o inacabado
do poema
caneta
Venham voando e escrevam
no tempo do pensamento
Nem um atraso no compasso
da letra
nada que dê gelo
ou espalhe areia ao vento
ou deixe num lamento
o inacabado
do poema
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