15 de setembro de 2008

o poço dos abraços infinitos

pra Ju

entre algumas pessoas existe uma espécie de poço dos abraços infinitos. que seja infinito, o que dá sede não é só a falta de abraços dados, mas o dar abraços em si - que dá vontade de sacar abraços do poço como a tentá-lo diminuir, aliviar um nível tranbordante. sorver do poço dos abraços é viver uma relação mais ainda, um pouco mais ainda, e mais... é ir em frente, onde se deve ir, seja para onde for, mas ir, deixar-se. sorver da amizade, do amor, do abraço.

entre algumas pessoas há um entre que é mesmo incrível. e é uma delícia senti-lo como a dançá-lo.

não importa, então, a distância geográfica que às vezes se imponha. nesse entre, nossos sentimentos dançarão sempre, e esse espaço com certo cuidado fica sempre aquecido. como o poço dos abraços. a única coisa é a sede de beber nele... e a necessidade, que um dia há de ser cumprida, de um mergulho que alivie esse nível transbordante...

13 de setembro de 2008

tudo aqui

acesso outras vidas
na noite
careço de abraços
o choro é um conforto engraçado
e o riso
vem da bênção
de sentir
porque nessa
não há algo
como vidas
que sejam outras

11 de setembro de 2008

11 de Setembro

Aviõezinhos correm pela vila portando explosivos. Chocam-se contra as torres e se espatifam, se despedaçam. Se não a curto, sua missão é suicida a longo prazo.

As torres são marcos constantes que não cessam de ruir. Imagens muito fortes tão concretas em sua abstratilidade que tornam-se indestrutíveis. O ruir das torres é a imagem mais indestrutível que existe.

É nosso marco que reverbera. O ruir ressoa, proclamamos nossas lágrimas televisivas. Os explosivos são alvos claros, importantes. Todo nosso ruir pode representar-se em drama e ocasião. O ruir movimenta a sociedade em uma parada.

Aviõezinhos chocam-se contra as torres. Nós reproduzimos a destruição infinitamente, pelo bem da imagem. Construímos a expressão última que tapa toda origem, quase toda conexão. Repetimos o ruir com gozo. Rejubilamos em milhões de discursos.

É a maravilha televisiva que se tenha tão bons personagens. A tela gera toda sorte de projeções. O cubículo expiatório de gerações auto-mutiladas.

Porque já é velha a sabedoria de que são nossos os aviõezinhos. Nós fabricamos os explosivos. As torres... de quem é a conseqüência das torres?

Jogamos pedra no mundo com gosto. Pouco vale tanto quanto uma falha enquadrada, porque o espetáculo é fim em si mesmo. Por quê? O medo originou toda cena que o justifica. Nada vale tanto quanto a segurança de um medo delimitado. É com gozo que os aviõezinhos explodem, as torres ruem de novo e de novo... e ainda jogamos pedras no mundo.

31 de agosto de 2008

são infinitas as formas;
prometemos experimentá-las todas.

é infinito o Caminho;
prometemos percorrê-lo até o final.

13 de julho de 2008

something like Jim

it sometimes happends to me
lost the mind
let the body go
and the soul
let it flow
and i
lost me
and i
am
no more
or so

how to count it?
and how to tell?

how to keep it?

it´s an endless joke
to roll and come back
a square
it´s an endless joke
so forget it
and stare
there´s anyone laughing?

it ought to be
i except of me
dance it

there´s a state
that doesn´t need
any thought to count the rate
there´s a state
that keeps going
and even if you need
something to show it
to awaken your eyes
and flow it
it´s there already
right now
beneath you
above

and you know it

7 de julho de 2008

Da intensidade das formas

para Aron, Ale e Larissa


há um nível de possibilidades em tudo. um nível de vida completamente intensa, não apreendida.

desse nível decantam as formas, ou se rasgam elas. as formas se impõe. impomos as formas às intensidades, para que se tenha rosto pra contatar, chão pra correr... pra que as intensidades sejam possíveis de serem vividas. as formas também são vida, muito e muito ela.

precisamos de palavras pra fazer passar os sentidos, de rostos e gestos pra passar os afetos. tentamos uma direção única, mas são muitas, inapreensíveis. e o melhor é quando uma palavra não limita o múltplo, mesmo tendo uma direção ou proposta. quando nosso jeito se sabe pouco e anuncia, num mesmo jeito, uma pista de toda a possibilidade: o simples do complexo é ser inteiro.

o que morde é que não há tempo nessa vida para todas as formas. o que morde e também o que liberta. o futuro é uma direção, e é a direção que dá o destino. mas é sempre o presente que importa... e as formas que agora estão. esse arranjo peculiar. e relaxar de saber que todas as possibilidades são concretas e não se limitam a ele. então, somos pouco, mas muito podemos; e não haverá tempo para tudo, então podemos ser o que somos sem ter que sermos tão fortemente afligidos pelo que poderiamos ser.

6 de julho de 2008

Dedicatória

para todo palavrear que exponha a verdade;

para toda verdade que exploda a palavra.