Ganhei uma marca, quase morri. O avassalador da experiência me diferenciou. Não de outros, antes de mim mesmo. O avassalador da experiência me sacudiu. Desde as pontas de meus dedos, o pó que meus ossos vão ser um dia desentupiram meus poros. O avassalador da experiência me deslocou. De susto, de súbito; de tão grande, de tão sem nome; de ter me levado tão longe, e de jeito tão diferente do mesmo. O deslocamento pela via, o arrasto do carro para outra avenida, a parada amassada em frente a Igreja... nada foi por acaso. Mesmo se casual, é com isso que dou de mãos e caso. Assim como o aríete da família, feito de dedo acusador, resposta estabelecida, soco... Assim como eu mesmo, com todo jeito feito impossível, resgatando muito mais prontamente naquele momento qualquer percepção associada com lisergia, e que ali era só trauma de ocasião, que ali era só tentativa de prontidão, que ali era só realidade estendida, realidade perdida, e cada ilha de realidade conquistada e naufragada de um caos-mar... E como lidar; e como bordear tamanho avassaladoramento...
Bati meu carro, arrisquei meu corpo e outros. Não o perdi nem ninguém. Tampouco minha alma saiu para dar voltas... Mas minha alma cresceu. Dentro de meu corpo e além, para dentro e para fora... eram aqueles delírios, aquelas falhas de lógica (como folhas de um jornal que vôou ao vento), aquele desprocessamento... eram eles indícios de minha alma que suspirava? Que quem sabe quase se soltava?
Perdi meu carro, tremi meu corpo, expandi minha alma. E minha mente... não sei... Ganhei. e talvez, para mais de mim, e menos... tenha sido minha alma... que tenha me ganho.
7 de abril de 2008
30 de março de 2008
Escrever
Escrever é mergulhar. Viver um entre em mim, procurar calmo ou desesperado por algo em um poço onde normalmente tudo é indiferenciado e, ao mesmo tempo, pouco se mistura; muito menos que na procura, onde o caos se agita e tudo afunda ou flutua.
Escrever é muito mais do que definir, até pelo contrário: que tentar encontrar palavra nesse poço-em-mim é dar-me conta daquilo que parece pronto e já não está, assim como do que desde antes se mostra sem tempo (só “antes” ou “depois”), escapa; simplesmente não pode ser contido.
Escrever é deixar claro como nada mais que a única contenção possível (como aquela da letra que se amarra em outras) é a contenção que liberta, como um traço que mostra o quanto tudo que está fora transita para dentro quase livremente e é muito maior. Escrever é um sufoco! E ao mesmo tempo um grande suspiro, como aquele que amanseia o lobo (o louco) que vai viver mais do que a gente. Escrever é traçar destino, porque pouco faz para mais além de apontar caminho como quem já começa a trilhá-lo. Escrever é se fazer de ponte (e inevitavelmente parar no meio para ficar olhando o rio). Escrever é trabalho de molécula, armando fronteiras como quem cria membranas lipossolúveis, como quem cria peles e se arrepia imensamente nos toques – de júbilo, de medo. É que escrever, por último, é abismar-se.
(P.S.: com toda essa idéia profunda de escrita, falta dizer que é nesse traçado que a cobra morde o próprio rabo, e eu escrevendo sobre o escrever acabo entretido nesse texto tão clichê...)
Escrever é muito mais do que definir, até pelo contrário: que tentar encontrar palavra nesse poço-em-mim é dar-me conta daquilo que parece pronto e já não está, assim como do que desde antes se mostra sem tempo (só “antes” ou “depois”), escapa; simplesmente não pode ser contido.
Escrever é deixar claro como nada mais que a única contenção possível (como aquela da letra que se amarra em outras) é a contenção que liberta, como um traço que mostra o quanto tudo que está fora transita para dentro quase livremente e é muito maior. Escrever é um sufoco! E ao mesmo tempo um grande suspiro, como aquele que amanseia o lobo (o louco) que vai viver mais do que a gente. Escrever é traçar destino, porque pouco faz para mais além de apontar caminho como quem já começa a trilhá-lo. Escrever é se fazer de ponte (e inevitavelmente parar no meio para ficar olhando o rio). Escrever é trabalho de molécula, armando fronteiras como quem cria membranas lipossolúveis, como quem cria peles e se arrepia imensamente nos toques – de júbilo, de medo. É que escrever, por último, é abismar-se.
(P.S.: com toda essa idéia profunda de escrita, falta dizer que é nesse traçado que a cobra morde o próprio rabo, e eu escrevendo sobre o escrever acabo entretido nesse texto tão clichê...)
2 de março de 2008
Mensageiro
percebo coisas nas outras pessoas. talvez seja só aquilo que me incomoda e aquilo que me admira. mas percebo seguidamente, e quero pensar que para além disso existe um algo de vocação.
uma vez descobri que vim ao mundo para ser um mensageiro. e não é que eu entenda a mensagem... é que percebo. como se houvesse algo para além de mim em fazer ponte entre as pessoas e suas possibilidades...
e eu mesmo... tanto o que aprender com mensagens! mensagens minhas e dos outros... porque tenho me sentido (e graças a uma mensageira em especial) com uma amarra forte a me circundar, para que as coisas que eu escuto sejam envolvidas em meu próprio orgulho de descrevê-las. é peso de controle... e tento superá-lo deixando-me ir, tal qual cartaz que já espalhei por aí: "deixe-se ir..." eita.
quando percebo, nem sempre digo as coisas. nem sempre faço função de mensageiro. e, mais do que pela mensagem em si, é por mim que não digo... talvez pela sensação de que dizer também o seria. o mais difícil talvez seja isso... que os mensageiros em uma guerra não são responsáveis pelas mensagens que carregam... ou melhor, talvez até o sejam, porque arcam com seus resultados e tantas vezes são atirados nos poços... mas, mesmo assim, elas não os dizem respeito.
o bom mensageiro tem responsabilidade porque é capaz de dar uma resposta a altura daquilo que gera. e mesmo assim tais resultados não lhes dizem respeito. o mensageiro só tem rosto pra passar a mensagem, e não um orgulho que faça esse rosto de mensagem retornar sobre ele mesmo. o mensageiro verdadeiro é como um monge zen.
e eu não o sou. talvez tenha essa vocação de fato, mas também tenho orgulho pra falar por mim e amarrar as coisas ao meu redor. tal como o contrário: "o Sr. da Dança circula sem cair na confusão". e eu não.
dizer ou não uma mensagem passa a ser questão de escolha. e é uma escolha delicada... porque quem sou eu para dizer a qualquer um que tal coisa se dá, se é que se dá; que tal coisa é sentida? quem sou eu para uma ação no sentido de mudar alguém? deixar-se ir é também deixar ir...
as coisas que me admiram e as coisas que me incomodam em outro momento batem em minhas arestas. e aí uma mensagem não sai mais além de mim, mas totalmente minha. e é assim também, ter um rosto e um corpo no mundo, ter amarras, estar com pessoas, fazer contratos... ter relações. é assim e não há como se precaver disso, nem porquê... a menos que as mensagens saiam por si, através de mim. e talvez esteja aí o mais saudável energéticamente, o que menos disperdiça... mas e meu orgulho? e estar se impondo sobre as pessoas?
talvez não dê pra entender nada dessa entrada "Querido Diário". não é?
faz o quê. eu sim caio em confusão.
hum. tenho que sair é pra dançar...
beijos.
uma vez descobri que vim ao mundo para ser um mensageiro. e não é que eu entenda a mensagem... é que percebo. como se houvesse algo para além de mim em fazer ponte entre as pessoas e suas possibilidades...
e eu mesmo... tanto o que aprender com mensagens! mensagens minhas e dos outros... porque tenho me sentido (e graças a uma mensageira em especial) com uma amarra forte a me circundar, para que as coisas que eu escuto sejam envolvidas em meu próprio orgulho de descrevê-las. é peso de controle... e tento superá-lo deixando-me ir, tal qual cartaz que já espalhei por aí: "deixe-se ir..." eita.
quando percebo, nem sempre digo as coisas. nem sempre faço função de mensageiro. e, mais do que pela mensagem em si, é por mim que não digo... talvez pela sensação de que dizer também o seria. o mais difícil talvez seja isso... que os mensageiros em uma guerra não são responsáveis pelas mensagens que carregam... ou melhor, talvez até o sejam, porque arcam com seus resultados e tantas vezes são atirados nos poços... mas, mesmo assim, elas não os dizem respeito.
o bom mensageiro tem responsabilidade porque é capaz de dar uma resposta a altura daquilo que gera. e mesmo assim tais resultados não lhes dizem respeito. o mensageiro só tem rosto pra passar a mensagem, e não um orgulho que faça esse rosto de mensagem retornar sobre ele mesmo. o mensageiro verdadeiro é como um monge zen.
e eu não o sou. talvez tenha essa vocação de fato, mas também tenho orgulho pra falar por mim e amarrar as coisas ao meu redor. tal como o contrário: "o Sr. da Dança circula sem cair na confusão". e eu não.
dizer ou não uma mensagem passa a ser questão de escolha. e é uma escolha delicada... porque quem sou eu para dizer a qualquer um que tal coisa se dá, se é que se dá; que tal coisa é sentida? quem sou eu para uma ação no sentido de mudar alguém? deixar-se ir é também deixar ir...
as coisas que me admiram e as coisas que me incomodam em outro momento batem em minhas arestas. e aí uma mensagem não sai mais além de mim, mas totalmente minha. e é assim também, ter um rosto e um corpo no mundo, ter amarras, estar com pessoas, fazer contratos... ter relações. é assim e não há como se precaver disso, nem porquê... a menos que as mensagens saiam por si, através de mim. e talvez esteja aí o mais saudável energéticamente, o que menos disperdiça... mas e meu orgulho? e estar se impondo sobre as pessoas?
talvez não dê pra entender nada dessa entrada "Querido Diário". não é?
faz o quê. eu sim caio em confusão.
hum. tenho que sair é pra dançar...
beijos.
29 de fevereiro de 2008
devagar
às vezes precisamos de um tempo. é que às vezes é como se o tempo precisasse da gente...
questão para pensar...
questão para pensar...
25 de fevereiro de 2008
deitado na grama
parei a contar estrelas.
17.
a cidade tem coisas estranhas...
17.
a cidade tem coisas estranhas...
17 de fevereiro de 2008
bobo
olhaí meu bem
prudência e dinheiro no bolso
canja de galinha
só faz mal
à galinha
prudência e dinheiro no bolso
canja de galinha
só faz mal
à galinha
14 de fevereiro de 2008
pés descalços
tem pessoas que pisam nas plantas na beira da trilha. outras põe seus pés por debaixo delas, atrás das pequenas sombras.
de qualquer forma, todos nós nos queimamos na areia quente.
e os pés, que não tem rosto pra serem rabugentos, sempre agradecem à experiência. mas só quando chega água gelada do mar...
de qualquer forma, todos nós nos queimamos na areia quente.
e os pés, que não tem rosto pra serem rabugentos, sempre agradecem à experiência. mas só quando chega água gelada do mar...
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