Meu corpo responde inédito
eu corpo
descoberto
Procuro nascente
de movimento
e acho
enquanto me foge
Me passa
me funde
me impressa
me explode
30 de agosto de 2006
28 de agosto de 2006
Tambores Sobre o Dique
em um feudo no Japão antigo, está para vir um dilúvio. a única solução para evitar que todos os dqiues que protegem a cidade da fúria do rio é fazer com que um deles se rompa, acalmando sua força.
o senhor do feudo hesita entre suas opções. pode ordenar que rompam o dique sul e isso significaria que todo o bairro das artes sucumbiria, junto com as escolas e as bibliotecas. ou pode ordenar que seja o dique norte o destruído, e então o rio levaria todos os prédios que alimentam economicamente o feudo, construídos com a madeira das árvores cuja derrubada desenfreada causam o dilúvio.
há uma alternativa: abrir uma fenda nos diques que protegem os campos. mas o senhor feudal não quer ser lembrado pela história como o Senhor Kyu, que muitas décadas antes fez justamente isso, matando centenas de camponeses no meio da noite. os sobreviventes de então se revoltaram, atacando e destruindo a cidade...
essa é a história da peça da encenadora francesa Ariane Mnouchkine (Tambours sur la digue no original). escrita para o teatro de bonecos japonês, a montagem em questão (de 2002) traz atores interpretando os bonecos e atores como os manipuladores, criando uma linguagem simplesmente sensacional. além disso, a peça foi passada para a tela do cinema, e há um DVD que traz também o making of (se alguém encontrá-lo, por favor me avise).
me lembrei dessa história, que passou no Santander mais pro início do mês, lendo o jornal de hoje. é que semana passada estreiou em quatro episódios o documentário do Spike Lee sobre o evento do furacão Katrina em Nova Orleans. se chama When the Levees Broke. o filme, cuja tradução do título é Quando os Diques se Romperam, além de falar a respeito do racismo na escolha deliberada de não intervenção por parte do governo americano, que deixou a cidade sem água nem luz por 5 dias (e nas condições que se encontravam, a bem dizer), traz a tona uma hipótese já lançada por lá desde logo após o acontecido:
que talvez alguns dos diques tenham sido bombardeados, fazendo uma escolha por inundar as partes pobres da cidade, salvando as partes ricas.
sinistro.
o senhor do feudo hesita entre suas opções. pode ordenar que rompam o dique sul e isso significaria que todo o bairro das artes sucumbiria, junto com as escolas e as bibliotecas. ou pode ordenar que seja o dique norte o destruído, e então o rio levaria todos os prédios que alimentam economicamente o feudo, construídos com a madeira das árvores cuja derrubada desenfreada causam o dilúvio.
há uma alternativa: abrir uma fenda nos diques que protegem os campos. mas o senhor feudal não quer ser lembrado pela história como o Senhor Kyu, que muitas décadas antes fez justamente isso, matando centenas de camponeses no meio da noite. os sobreviventes de então se revoltaram, atacando e destruindo a cidade...
essa é a história da peça da encenadora francesa Ariane Mnouchkine (Tambours sur la digue no original). escrita para o teatro de bonecos japonês, a montagem em questão (de 2002) traz atores interpretando os bonecos e atores como os manipuladores, criando uma linguagem simplesmente sensacional. além disso, a peça foi passada para a tela do cinema, e há um DVD que traz também o making of (se alguém encontrá-lo, por favor me avise).
me lembrei dessa história, que passou no Santander mais pro início do mês, lendo o jornal de hoje. é que semana passada estreiou em quatro episódios o documentário do Spike Lee sobre o evento do furacão Katrina em Nova Orleans. se chama When the Levees Broke. o filme, cuja tradução do título é Quando os Diques se Romperam, além de falar a respeito do racismo na escolha deliberada de não intervenção por parte do governo americano, que deixou a cidade sem água nem luz por 5 dias (e nas condições que se encontravam, a bem dizer), traz a tona uma hipótese já lançada por lá desde logo após o acontecido:
que talvez alguns dos diques tenham sido bombardeados, fazendo uma escolha por inundar as partes pobres da cidade, salvando as partes ricas.
sinistro.
24 de agosto de 2006
UmColetivoDeVida
a gente faz afeto abrir caminho.
onde o trampo, o grampo, a grana atravancam, a gente rasga.
incapturáveis!
(pro Iacã)
onde o trampo, o grampo, a grana atravancam, a gente rasga.
incapturáveis!
(pro Iacã)
22 de agosto de 2006
Família
meu avô dá sustos com gritos ásperos e profundos, fala grosso, assobia, gargalha quando corre e faz absolutamente tudo o que os três pequenos mandam. virar criança é dizer pouco, encanta eles e a mim que como atrasado de horários outros.
o Sol entra pelas janelas de muito vidro, a lareira acesa empresta cheiros a casa inteira, o Guaíba está ali pra ser visto refletindo todo o frio que ainda resta ao ano - e que a gente não mede. nem pede que acabe seriamente.
come-se muito que a ordem é três refeições por uma, sobremesa incluída. fala-se alto (eu não lembrava). o café que era por minha conta tenho errado - no atraso já está pronto e fico com o segundo turno que sempre se faz necessário.
minha prima de três anos e meio diz que tem que aprender a amarrar os cadarços com meu vô porque só ele que sabe. e ele sabe. foi um pai duro de respeito e o avô mais doce que essa terra já viu. e ainda por cima é fechado de transbordar sentimentos pelos olhos cheios d´água e nem palavra a respeito que isso não deve existir não.
com todas as suas coisas, grandiosidades e pequenezas, mesquinharias e gargalhadas, e mesmo falando alto, esses aí são minha ilha e minha catapulta. se eu tivesse escolha, não os trocaria jamais!
o Sol entra pelas janelas de muito vidro, a lareira acesa empresta cheiros a casa inteira, o Guaíba está ali pra ser visto refletindo todo o frio que ainda resta ao ano - e que a gente não mede. nem pede que acabe seriamente.
come-se muito que a ordem é três refeições por uma, sobremesa incluída. fala-se alto (eu não lembrava). o café que era por minha conta tenho errado - no atraso já está pronto e fico com o segundo turno que sempre se faz necessário.
minha prima de três anos e meio diz que tem que aprender a amarrar os cadarços com meu vô porque só ele que sabe. e ele sabe. foi um pai duro de respeito e o avô mais doce que essa terra já viu. e ainda por cima é fechado de transbordar sentimentos pelos olhos cheios d´água e nem palavra a respeito que isso não deve existir não.
com todas as suas coisas, grandiosidades e pequenezas, mesquinharias e gargalhadas, e mesmo falando alto, esses aí são minha ilha e minha catapulta. se eu tivesse escolha, não os trocaria jamais!
Sinceridade
é muito bom olhar fundo nos olhos
20 de agosto de 2006
Sabadaço!
depois de papo do bom, de fácil de dizer, de muito rir, de bobalhices e tanta verdade no olho amizade:
turbulências, torvelinhos, temperaturas altas e baixas, rodopios e muita bebida.
as músicas repetiram e quem disse que eu notei?
a gente dança no aperto e não se importa quando finge que o pisão no pé não causou cara feia (foi de leve, ou costa a costas).
a gente dança.
é isso que importa.
adoro essa cidade com todas as suas pessoas!
turbulências, torvelinhos, temperaturas altas e baixas, rodopios e muita bebida.
as músicas repetiram e quem disse que eu notei?
a gente dança no aperto e não se importa quando finge que o pisão no pé não causou cara feia (foi de leve, ou costa a costas).
a gente dança.
é isso que importa.
adoro essa cidade com todas as suas pessoas!
19 de agosto de 2006
Citação de respeito

buscando
Originally uploaded by ieve.
busca é essa guria tirando foto.
poesia em imagem. e se me sinto imagem, é assim que sinto.
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