10 de outubro de 2008

se eu fosse tu, eu

se eu fosse tu, eu seria um "tu" de verdade. sem tudo isso que tu primeiro me apresenta, tudo isso com o que tu tanto te enreda, tudo isso com o que tu te enrola e te esconde. seria um tu do "mais além", sem penduricalhos; o "tu" da tua respiração profunda incontida, que se sufoca aprisionada na tua respiração cotidiana.

se eu fosse tu, seria, do teu jeito, exatamente como seria se eu fosse mesmo eu.

5 de outubro de 2008

nós fazemos a História agora

- talvez, Dani, tudo que o mundo precise seja de um RP e um psicólogo...

2 de outubro de 2008

incertezas mundiais

no último mês, estivemos no limite da existência do mundo. ou quase, certo.

por duas vezes, de qualquer forma, eventos "humanos" causaram a possibilidade do mundo sair de seus eixos. por duas vezes, que eu tenha contado, que tenha ficado óbvio, o mundo poderia ter acabado.

a primeira foi a testagem, na França, do maior acelerador de partículas já construído. a chance era remota, mas poderia ter dado em supernova: um buraco negro sugando a tudo e a todos pro meio da terra dos croissants.

a segunda... bem, a segunda foi a maior queda do mercado econômico americano desde 1929. tão risível quanto possa ser, essa crise que ainda se vive poderia desencadear um evento em cascata a ruir bolsas de valores em todos os cantos do planeta.

sejam coisas concretas, sejam imaginadas, estão por aí. também nosso mundo é imaginado. quantos será que tiveram a sensação de que tudo poderia se tornar um espaço branco após a próxima esquina? ou um pandemônio urbano? será que a crise econômica derreteria os pólos?

no mas. simplesmente achei muito engraçada a comparação dos dois eventos. acho que fala alguma coisa sobre o jeito de que se tem andado. humanidade maluca.

25 de setembro de 2008

haikai eleitoral

a cada dia,
uma música ridícula e irritante diferente
na cabeça.

23 de setembro de 2008

Trancos, ancas e narizes de palhaço

Me envolvo em minhas trapalhadas. Fios que fazem minha carne, dão toda a forma das conexões a minha volta.

Sempre essa idéia de fios, "me envolvo, me enrosco, me enredo." Me enrasco.

Porque sempre me esqueço. "Sempre me lembro que já te esqueci" diferente/complementar de sempre me esquecer de lembrar. De olhar. Antes, respirar.

Depois da raiva, o enrosco. Antes também. Mas depois do enrosco de depois da raiva, a graça. A graça é um alívio de consciência. Assim como a raiva, alinha os fios, mas a graça o faz sem a brutalidade que novamente os enreda no logo-após.

A graça clareia a cena-eu. Mais nada, vale por si só. A cena-eu também não é nada, afinal. Mesmo o enrosco. Por isso a graça é o princípio da meditação.

21 de setembro de 2008

antes da porta bater

foi muito bom te ver no Sábado! acabou comigo. e eu tava mesmo precisando acabar.

fazia tempo que não cansava de mim mesmo, mas cedo ou tarde acontece, principalmente quando não cuido de certas coisas. e sigo me impressionando como tenho pontos cegos.

então, acabei. vim só dar um tchau antes de fechar a porta. era uma sala gostosa essa, né? eu não me importava de ficar esperando nela. pelo menos até o final de todas essas revistas de moda. e, de qualquer forma, a luz apagou faz um tempo.

vou eu ficar no escuro. será? esse escuro de espaço. escuro de luz, quem sabe. ou sabe-se lá. depois que a gente acaba, será que ainda pisa em alguma coisa? só vou saber mesmo depois de passar pela porta.

então, acabei. e tchau. era pra isso, isso tudo.

talvez toda despedida fique com um gosto de algo mais para dizer. toda vida fica com alguma coisa não-vivida? é estranho, porque isso não existe. o tanto que não se existe em potência pura. mas finais são finais. como carcaças são apenas carcaças e tudo o mais.

pelo menos depois da saída.

20 de setembro de 2008

Causos Eleitorais

em frente ao Clínicas, uma verdadeira comitiva panfletária faz seu trabalho.

em meio a eles, um homem com um carrinho de mão vende abacaxis. de "Terra de Areia".