21 de julho de 2009

Acordei em ensejo
Acordei em devaneios
Acordei em desesperos
de muitas coisas
deixadas
de ontem
Acordei em acordes dissonantes
vários
tocados ao mesmo tempo
Acordei em sono
Acordei procurando
o sorriso

Acordei
e já dormia

19 de julho de 2009

Pedaços

Não foi da desforra
que a mente
fez a glória

porque a mente
acorda bêbada
quando a gente
acorda

Não foi a lamúria
tampouco
nem da luxúria
ou sobriedade

a mente não conhece
sobriedade
até ser entorpecida
em corpo

até ser esticada
até a presença
sufocada
de lamentos
enxurrada
de suas despensas

a mente saiu
foi passear
fiquei deitado
e me perdi
nos milhões de corpos fragmentados
que me atrevo
a ter

a mente riu
boba
quando virou criança
e, sendo eu adulto
nem precisava responder pelo tanto
o corpo sabe
ser um só
como a mente
sabe ser corpo
só precisa
esquecer da mentira
que faz um agora sempre de ontem
só precisa
desfazer o véu
e lembrar

O pulo do gato
não faz
ressalvas

18 de julho de 2009

Fim

perdi a hora
vambora
não tem limites
esse sofá

perdi a bomba
que foi
que fez
com que tu te mexesse
tanto?

perdi a perda
tava tudo igual
no samba
foi só no estômago
que senti
que as passadas
se arrastavam

12 de julho de 2009

em dúvida
divido
angústia
com meu silo
meu umbigo
minha questão

e então
soluça
esse jeito
de intempério

gosto
de como
teclo
deslizando dedos

gosto de como penso
pensamentos carinhosos
até serem
mergulhados
na cólera

21 de junho de 2009

o dia começa
em medo de término
me refugio nessa continuidade
louco
louca eventualidade
que me faz aqui
que me faz
queime
um medo
queima
esquema
esquerdo
só
em um dia acompanhado
não há nada
que dê escondeirijo
quando a solidão
é possível
e o coração
ainda assim
acha companhia

18 de junho de 2009

fragMundo

O mundo parece louco e perdido. O mundo parece fragmentos autônomos conectados por linhas finas, tênues, frágeis. Linhas de quê? Afetos... histórias... apegos... não faço idéia.

Um mundo de pedaços.
Parece fazer sentido.
Que mistério indescritível
dar conta disso
quando é impossível
que
se
dê
conta.

10 de junho de 2009

a luz apaga
é passada a hora
o filme fica preso
dentro do peito
vira companheiro de densidades
uma vida externa a carregar comigo
mais uma, ao menos
eu e minhas muitas vidas
a serem carregadas

toca no computador
"venho pra levar
os amores que fiz nessa vida"
são minhas palavras, mesmo não sendo
meu coração as dá para mim

não parece haver nada
mais legítimo
que isso

(referências: Donnie Darko, Os The Darma Lóvers)